MANIFESTO ANTI-DENTES
(em memória dos dentes perdidos, partidos e passeados, inspirado no Manifesto Anti-Dantas de Almada Negreiros)
Morra o dente que morde e já não é!
Morra a prótese que escorrega na sopa!
Morra a prótese que se parte sob a roda impiedosa da cama!
Morra o sorriso desdentado morra!
MORRA O DENTE MORRA - PIM
Morra a prótese na gaveta da vergonha
Morra a superior que foi posta em baixo.
Morra com ela as coroas e os implantes
E morram as fixas a preço de entrada na habitação
MORRA O DENTE MORRA - PIM
Morra a boca que tanto gritou por justiça
Contra as próteses que se perdem entre as dobras do lençol e se encontram na boca do cão!
Contra as que se perdem no tabuleiro do almoço e aparecem de molho na caixa azul!
Contra as próteses que não encaixam nem na alma!
MORRA O DENTE MORRA - PIM
Morram os dentes de um, dois, três molares solitários,
plantados em gengivas tristes como jardins em greve.
Morra o império da resina mal moldada, morra!
MORRA O DENTE MORRA - PIM
Mas que não morra o direito de mastigar sem humilhação!
A dignidade da sopa que não precisa ser pastosa!
A liberdade de rir balizado!
MORRA O DENTE MORRA - PIM
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