O céu existe mesmo
À beira da cama, com a voz cansada e os olhos semicerrados, perguntaste-me baixinho: - O céu existe mesmo, porque sofre tanta gente? Porque há tanta guerra? Porque adoeço sorrateiramente? E o silêncio bateu à porta, Sabe que há perguntas que não cabem em respostas. O Porquê, pouco importa. Nós cá dentro, questionando, e Lá fora, o mundo continuava, indiferente e urgente, Distante do essencial, aqui. Não te falei de certezas, nem de promessas Não as tinha, só tristezas Essas Que o mundo teima em perpetuar. Fiquei. Porque às vezes, se o Céu existe mesmo, talvez seja nesse gesto de não fugir, de segurar a mão, de enxugar a lágrima. Talvez Ele não seja resposta, mas presença. Talvez Ele não impeça a guerra, mas sussurre coragem. Talvez Ele não cure todas as doenças, mas habite o intervalo entre um suspiro e outro. E ali, no peso da pergunta, Existia algo - não sei dizer o quê - mas existia mesmo.