A despedida
Sozinha, mas não vazia, ela entrega-se à despedida, lenta, inevitável. Da vida terrena. Os rios do corpo escoam sem pressa, deixando o cérebro e os pés, migrando pra o coração- o último refúgio. Num respirar sereno, com BA-TI-MEN-TOS
Ca-da
vez
mais
len
tos.
O ar entra e sai num ritmo já distante, cada batida espaçada, cada intervalo mais longo. Há muito se despediu das palavras, dos dizeres.
Agora os cheiros esvanecem.
Com o olhar vago mas presente na cerimónia de despedida. Ela não resiste. Solta-se, rendendo-se ao fio umbilical que a prende à Terra-Mãe. Desliga-se. De forma serena, tão leve como um sussurro. Seguro-lhe a mão esquerda, fico do seu lado também esquerdo. O medo habita-me mas permaneço.
Então, toco-lhe o coração com as palavras. O fim acontece diante de mim - o fim da vida. O último respirar despede-se. Ela apneia[-se].
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