Nunca fui muito crente
Nunca fui muito crente
Mas com a minha mãe era diferente.
Era eu pequenino e
Via espalhadas figuras e figurinos,
Os filhos, os netos, os genros e os sobrinhos.
Um altar de santas e…e…
Era eu pequenino e
Via espalhadas figuras e figurinos,
Os filhos, os netos, os genros e os sobrinhos.
Um altar de santas e…e…
- Atchim!
- Santinho(s).
Meu Deus!
Dizia, então, que quando eu era pequenino
O tempo tinha outro tempinho,
Andava tudo muito mais devagarinho.
Por esta quadra faziam-me chegar
A mim e ao Zézinho uma bolsa na mão, em vez de folar
A mim e ao Zézinho uma bolsa na mão, em vez de folar
Percorríamos as ruas da aldeia e batíamos de porta em porta, a cantar.
Fingíamos ser poetas, trovadores,
seresteiros ou, simplesmente, bons cantadores.
E em troca pedíamos um conto para o padrinho, e outro para o nosso bolsinho.
E quando viamos a oferta, credo!
Fingíamos ser poetas, trovadores,
seresteiros ou, simplesmente, bons cantadores.
E em troca pedíamos um conto para o padrinho, e outro para o nosso bolsinho.
E quando viamos a oferta, credo!
Posso não ser muito crente,
mas no domingo, sigo a gente.
Reúno a família para o banquete,
De Pão-de-ló, cabrito e beberere.
Nunca fui muito crente, pois antes de o ser,
tenho ainda mistérios a perceber.
Por exemplo, porque raio tenho eu de sofrer?
Que por isto mais valia morrer.
Ir desta para melhor.
Bater as botas.
Esticar o pernil.
Bater a caçoleta.
Dar o peido mestre.
Livra! Que a foice me sequestre.
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