As onomatopeias ao longo da vida
Trimmm… trimmm! (a campainha)
Toc, toc, toc! (a bengala)
Creeeeec… (a porta)
Ffff… fuuu… (a respiração)
Os olhos que mascaram provavelmente
as dores nas articulações,
o cansaço e as preocupações.
E outras coisas mais pela mente.
Pam…pam…pam.
vinte passos dados, daqui para acolá,
Caminhado atrás como um iman
E apreciando o presente tal e qual como ele está.
Deixa a bengala num canto distante
o suficiente para ter que ir em marcha desequilibrada.
Puxa a cadeira e senta-se - faz um gesto triunfante.
Foi uma treta muito bem ornamentada.
A Maria já estava sentada.
E como sempre, muito bem agasalhada.
Sorri-lhe.
Ela sorriu de volta, sem dizer mais nada.
Gri-gri
A cabeça pende para um dos lados
E depois para o outro.
As mãos trêmulas, que não cessam.
O corpo frágil que oscila.
Os braços lentos que abraçam.
A fala que vacila.
Passa os dias à espera, Que o tempo passe.
Do amanhecer e Do almoço
Que tout casse,
E Dos cuidadores.
Que tout lasse.
As tardes sentada na mesa da cozinha,
com as cortinas corridas
Deixam a luz natural entrar logo d’manhãzinha
E Senta-se cada um na sua cadeira.
Ele à cabeceira.
A ver tv; e a cruzar olhares que ninguém lê.
O tempo passa, mas eles vivem-no juntos.
Ouvem-se sem falarem
Põem os is nos pontos
E continuarão, enquanto aqui morarem.
Antes de vir
Recolhi uma folha da serrapilheira,
que encontrei em frente a sua casa
para que a pudesse sentir e cheirar, por inteira.
Sentir as semelhanças e resgatar as memórias
Lembrar os tempos da Beira.
Aiiiiiiii...está a desabafar.
É o sinal de que precisa descansar.
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